A cidade de Maranguape, distante 22Km de Fortaleza, é ligada à Capital pela estrada de rodagem CE-020. Situa-se ao sopé da serra do mesmo nome e estendendo-se no pequeno e fértil vale que a circunda. Pode ser considerada o melhor subúrbio da Capital, com os seus pontos de atração maiores – as boas e agradáveis vivendas que se sucedem serra acima, com a sua floresta sempre verde, seus regatos, suas piscinas.

O tráfego entre Maranguape e Fortaleza é intenso, com ônibus transportando passageiros, saindo e voltando de meia em meia hora.

História

A Lei nº 553, de 17 de Novembro de 1851, criou o Município com sede na povoação de Maranguape (estabelecendo-lhe os limites), então elevada à categoria de vila. Esta foi elevada à cidade em virtude da Lei nº1282 de 28 de Setembro de 1869. Pelo Decreto Lei nº 448, de 20 de Dezembro de 1938, ao Município foi anexado, para o Distrito de Maranguape, parte do extinto distrito de Pajussara (hoje Rodolfo Teófilo), do Município de Fortaleza.

A Lei nº 485, de 04 de Agosto de 1849, extinguiu a antiga Freguesia de Messejana, transferindo a sua sede para a povoação de Maranguape, cuja capela foi erigida em Matriz, sob a invocação de Nossa Senhora da Penha. Na mesma data, foi transferido de Messejana para a nova sede, o vigário Padre Pedro Antunes de Alencar Rodovalho, colado por carta de 25 de Novembro de 1836. Acometido da cólera-morbys, retirou-se este, em 1862, para Fortaleza onde faleceu, sendo substituído pelo Padre Galindo F. da Silva Cavalcante, como pró-pároco. O substituto efetivo foi o Padre Francisco Sales de Oliveira Bastos, nomeado a 11 de Outubro de 1862, tendo aí permanecido até 16 de Fevereiro de 1872, e ficando na sua ausência, gerindo a Paróquia, o Padre José Maria Conde.

A primitiva capela de Nossa Senhora da Penha era situada no alto da vila hoje bairro de Outra Banda, à qual não passou dos alicerces. Quando se aventou a idéia da construção da atual Matriz, sob a invocação de São Sebastião, houve divergência, quanto à escolha do local, entre os habitantes de Outra Banda e os da outra parte da vila, resultando daí ser levantada no ponto em que hoje se acha, lugar impróprio quase pantanoso. É um prédio vasto e inteiramente bem ornamentado. Desse modo a Freguesia de Maranguape cultua dois padroeiros, um de direito – Nossa Senhora da Penha, e outro aceito pelo povo – São Sebastião. Etimologicamente o toponômio pode significar a árvore que nenhuma maneira se come: de mara – árvore angai de nenhuma maneira e guabe – comer. Martius, p.514; talvez guerreiro, sabedor da guerra, abreviatura de maranmonhang – fazer guerra, ou substantivo simples guerrear, de que se fez o verbo composto, e eoaub sabedor (José de Alencar Iracema, Nota 8 ao Capítulo XXII).

“Em datas de antigas sesmarias encontra-se escrito Maranguape, de que Maranguape já deve ser corrutela e que significa – árvore de comer, ou de fruto que se come: de Mara – árvore e guabe – comer. Penso que esta é a verdadeira etimologia” (Pauling Nogueira, Vocabulário Indígena, na Revista do Instituto do Ceará, V.1, p. 345). Segundo João Brígido, Maranguape. Maranguape é corução de Maragab, Maragoaba. Os Holandeses não nos deixaram o nome em que os indígenas davam ao local da cidade atual. Deram, porém, à serra em frente, a de Maragoa, que se encontra escrito – Maragoaba em documentos portugueses, posteriores à evacuação… Maragoa, Maragoab e Maragoaba? Entre os portugueses não houve senão um “b” demais, e por fim, um “a”. Mara quer dizer mato, goa e goab que Montoya diz guab, é o mesmo que gua, quer dizer – apertado, cerrado, etc. Destarte Maragoa, Maragoab, Maragoaba, finalmente, Maranguape, tudo quer dizer – matuo fechado, cerrado, etc.” (Revista do Instituto do Ceará, v.16, p.123).​

“Marangoape, como vem escrito na sesmaria de Tomé Dias, principal da Aldeia de Parangaba, em 1707 – escreve Teodoro Sampaio – ou Maragoá, como se lê na planta do forte schoonenborch de 1649, é na verdade o mesmo nome Maranguape hoje. Toda dúvida desaparece logo que se observe que a palavra Maranguape representa a aglutinação de três elementos bem distintos: Mara – goá – pe; que a última sílaba do radical marã é nasal, escrevendo-se mais corretamente maran, que quer dizer guerra, luta, batalha, confuso; que a terminação pe é uma simples regência os denominamos preposição, porque no português se coloca antes do nome regido, mas que no tupi devemos chamar posposição, porque, ao contrário, sempre se coloca após o dito nome, posposição que pode desaparecer da palavra a que se aglutinou sem a alterar substancialmente. Marãgoá (marã-goá) se traduz por vale de batalha ou baixa peleja, e Maranguab (Mara-goá-pe) significa – vale ou baixa batalha”. A grafia atual exprime com mais exatidão a palavra em Tupi. (A evolução histórica do vocabulário tupi, na Revista do Instituto do Ceará v.16 p.217).

O Barão de Studart aceita essa explicação etimológica (Revista cit., v.38, p.123). Esta é uma nota de Pompeu Sobrinho: “A etimologia dada por Paulino Nogueira não satisfaz. Guabe em tupi não é comer, mas simplesmente uma currutela de guaba ou wába, a comida ou lugar de comer, é o infinito ú; donde os particípios nominais wára, comedor, e waba, a comida, a etimologia proposta por Von Martius ainda é mais extravagante, bem como a de Alencar. A análise de Teodoro Sampaio é razoável: marãn gua pe ou no vale da baixada batalha; apenas a significação nos parece inexpressiva.

É possível que wará provenha da alteração ymirá madeira, pau, dando Maranguá, o vale ou baixada da madeira, mas preferimos interpretar de outro modo: mara madeira + guaba, de waba, ou waa ( o que ), isto é: o que tem madeira, o lugar das madeiras. Donde Maranguape pela permuta, muito usual, no tupi, do b em p. A alteração de ymará em mara é comum – como em marapinima, de ymirá-pinima, pau ou madeira pintada, cheia de manchas; maraúna ou baraúnade ymirá-uma madeira preta maratataiba, de ymirá-tá-tá-yba pau, fogo, árvore, árvore de pau de fogo etc.

Capistrano de Abreu

No sítio Columinjuba, distante 09Km da cidade, nasceu João Capistrano de Abreu, em 23 de Outubro de 1853, tido e havido, com toda justiça e razão, como o maior dos historiadores brasileiros, devendo-se relembrar o conceito de Silvio Romero: “Capistrano é o maior erudito em assuntos brasileiros que até hoje existiu”. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de Agosto de 1927. Ver o verbete Capistrano e ler Maranguape Aspectos Históricos-Geográficos, Fortaleza, Editora Instituto do Ceará, 1965, de Pedro Gomes de Matos, Maranguape (Notas de viagem) Fortaleza, Tip. Econômica, 1885, de Antônio Bezerra, Monografia do Município de Maranguape. Fortaleza, Assis Bezerra, 1911: Maranguape, Fortaleza, s. e, 1951 de Paulo da Mota, bem como o trabalho que se encontra na Revista do Instituto o Ceará v. 77, p. 107 e seguintes. O sítio Columinjuba situa-se no distrito de Sapupara (ver.). Neste mesmo distrito, nasceu em 28 de Fevereiro de 1907, Joaquim Braga Montenegro, que, sem ter freqüentado colégios melhores ou faculdades pode alcançar, sem favor, o posto dos mais abalizado dos nossos críticos literários. Vitorioso contista. Pertenceu ao Instituto do Ceará e à Academia de Letras, ocupando a Cadeira nº 15 de que é patrono João Capistrano Honório de Abreu.

A Universidade Federal do Ceará concedeu-lhe o título de Professor Hónoris Causa, em 10 de Agosto de 1970. Faleceu em Buenos Ayres, Argentina, aonde fora à procura de melhor tratamento da doença que o afligia, no dia 20 de Novembro de 1979 (ver verbete Sapupara); Antônio Augusto de Vasconcelos, em 23 de Dezembro de 1852, professor da extinta Escola Militar do Ceará e um dos fundadores e professor da Faculdade de Direito do Ceará. Orador fluente. Pertenceu ao Instituto do Ceará, tendo sido um dos seus fundadores, assim como na Academia Cearense de Letras, da qual é patrono (Cadeira nº 03). Faleceu em 10 de março de 1930; Djacir de Lima Menezes, em 16 de Novembro de 1907. Professor. Grande figura de Jurista Sociólogo, cuja obra, numerosa e de repercussão internacional, marca bem a profundidade e equilíbrio dos seus conhecimentos; Jaime Benévolo, em 27 de Agosto de 1854. Engenheiro Militar.

Informação histórica assegura que fazendo parte do gabinete de comando do General Deodoro da Fonseca, tudo fez para que este doente e indeciso saísse à rua para proclamar a República. Faleceu em 13 de Maio de 1905; José Alves Quinderé (Pe. Quinderé), em 1º de Janeiro de 1882. Sacerdote ordenado em 1904, exerceu diversas funções eclesiásticas da mais alta confiança do Bispado do Ceará e foi professor do Liceu do Ceará. A sua simplicidade atraente e o seu espírito Blaguer fizeram-no um querido de quantos o conheceram. Escreveu várias obras, inclusive as suas reminiscências de encantador conteúdo; Francisco Anísio de Oliveira Paula Filho (Chico Anísio) um dos grandes comediantes brasileiros, sempre aplaudido pela quase diremos genialidade de suas caracterizações e de seus programas e exibições.